A existência da Mulher, segundo a Filosofia Medieval Por Valmir Neto


         A princípio é importante dizer que, a ‘filosofia medieval’ é toda filosofia desenvolvida na Europa durante a Idade Média, ou seja, o período compreendido entre a queda do Império Romano no século V até a Renascença no século XVI.
         Sendo assim, trata-se de um processo de recuperação da antiga cultura filosófica, desenvolvida na Grécia e em Roma durante o período clássico. Que entre outros questionamentos, abordou os problemas teológicos da época, dando origem às primeiras vertentes da filosofia medieval.
         Considerando que a Idade Média foi marcada pela forte influência do Cristianismo (uma leitura grego-romana do Messianismo fundamentado em Yehoshua, Hamashia), os temas enfrentados pelos filósofos medievais tinham relação com a fé e a razão, a existência e a influência de D’us e os propósitos da teologia e da metafísica.
           Tendo em vista o caráter predominantemente teológico da filosofia medieval, os pensadores, raramente se consideravam filósofos, uma vez que o termo ainda estava muito relacionado a filósofos ateus e agnósticos, como Aristóteles e Platão. Contudo, o raciocínio teológico da época utilizava muitos métodos e técnicas dos filósofos antigos para refletir sobre o que ficou nesta época, conhecido como ‘filosofia cristã’. Assim, é seguro afirmar que a filosofia medieval buscou adequar duas áreas distantes: a razão científica e a fé cristã.
         Fica claro então, que nossa reflexão sobre o propósito da ‘existência da mulher’, é com base na ‘teoria do Criacionismo’, uma estrutura/modelo conceitual que adota para o estudo da natureza a possibilidade da existência de um criador. De forma que, a vida teria sido criada inicialmente complexa, completa e funcional, em tipos básicos de seres vivos dotados do aporte necessário para sofrer diversificação limitada ao longo do tempo.
         Acontece que, basta uma breve busca para nos depararmos com uma série de “definições” diferentes e confusas do que possa ser o ‘CRIACIONISMO. Levando-nos a classificar as três formas corretas, de entender-se:
  • Criacionismo religioso é uma estrutura/modelo conceitual que, apenas pela fé, aceita como verdadeiros certos escritos de determinada religião, tais como exemplo o hinduísmo e o islamismo, que tratam da origem do universo e da vida. Não tem necessariamente a intenção de comprovar ou testar cientificamente suas afirmações. Também abrange os mitos da criação (tais como os chineses, hinduístas ou de tribos indígenas, por exemplo)
  • Criacionismo bíblico é uma estrutura/modelo conceitual que defende a Bíblia como a infalível Palavra de D’us. Leis, evidências, processos naturais e testes científicos são perfeitamente compatíveis com as revelações e os conceitos bíblicos. A vida é criada complexa e vai degenerando em decorrência dos efeitos deletérios do pecado, processo intensificado pelo dilúvio global, descrito na Bíblia Judaico-Cristã e em outros documentos antigos.
         Em relação à idade da terra, os criacionistas bíblicos utilizam a expressão “menos de 10.000 anos” para se referir ao tempo decorrido desde a criação. Isto porque o texto massorético da Bíblia hebraica sugere uma idade em torno de 6.000 anos, enquanto a versão Septuaginta sugere cerca de 7.500 anos, e a versão Samaritana ainda outro valor. O calendário judaico aponta também uma idade diferente.
        Mas a grande confusão realmente está no “criacionismo científico”. Muitas pessoas confundem o criacionismo científico com o criacionismo bíblico, quando, na verdade, ambas são propostas distintas. O criacionismo científico não se preocupa em defender uma Terra jovem, de cerca de 6 a 10 mil anos de idade, tal como faz grande parte dos adeptos do criacionismo bíblico. Portanto, neste modelo, a Terra poderia ter 20 mil, 30 mil anos, caso as evidências atuais da ciência apontassem nessa direção (o que não é o caso).
         Tendo esclarecido nossa base de pesquisa, resta-nos dizer que, sempre nos chamou a atenção o profundo simbolismo encontrado no fato de D’us, ter tomado uma costela de Adão para criar, a partir dela, aquela que seria sua companheira – igual, mas diferente – a mulher.
Segundo a teoria do Criacionismo Bíblico, Eva foi feita de uma costela tirada do lado de Adão. Gerando questionamentos:
"Por que, feita de uma costela?"
         Como parte do homem, osso de seus ossos, e carne de sua carne, era ela o seu segundo eu, mostrando isto a íntima união (ou seja, não há dúvidas, quanto a orientação sexual de ambos: foram criados heterossexuais) e apego afetivo (ou seja, além da humana paixão, deveria frutificar a virtude do ‘AMOR’), se não houvesse o julgo desigual no que tange a fé.
          As costelas são ossos longos, parecidos com arcos. A princípio, por sua ligeira flexibilidade, parecem frágeis, mas unidas ao osso esterno, formam uma verdadeira “caixa” de proteção para os órgãos vitais, como o coração. Frágeis, mas fortes. Assim são as mulheres. Ilude-se quem pensa que, pelo fato de serem delicadas e sensíveis, elas não sejam capazes de proezas de deixar qualquer homem de queixo caído. Por exemplo, autodefender-se!
"Por que tirada do lado?"
         Significa que ela não o deveria dominar, como a cabeça, logo, nem ser pisada sob seus pés como se fosse inferior, mas estar a seu lado, como sua igual.
         A sociedade contemporânea está apenas começando a mergulhar nas reais distinções entre homens e mulheres. Além das óbvias diferenças fisiológicas, existem também diferenças na maneira de pensar, falar e se comportar.
         A fim de entender a natureza essencial do homem e da mulher, devemos afastar a subjetividade e olhar pelos olhos de D’us. Todo ser humano, seja homem ou mulher, foi criado pelo mesmo propósito – fundir corpo e alma para tornar eles próprios e o mundo um local melhor e mais sagrado. Em seu serviço a D’us, não há absolutamente distinção entre um homem e uma mulher; a única diferença é na maneira pela qual o serviço se manifesta.
"Quais são as diferenças entre homens e mulheres?"
          Homem e mulher representam duas formas de energia Divina; são os elementos masculino e feminino de uma única alma. Entendendo pela teoria do Criacionismo Bíblico, que D’us não é masculino nem feminino, mas tem duas formas de emanação: a forma masculina, mais agressiva, e a forma feminina, mais sutil. 
         Filosoficamente, segundo essa teoria, para um ser humano levar uma vida plena, ele ou ela deve ter ambas as formas de energia: o poder da força e o poder da sutileza; o poder de dar e o poder de receber. Ou seja, o ideal é que essas energias se fundam sem conflitos. Logo, tanto o homem, quanto a mulher podem psicossomatizar a autodefesa.
          Os homens são fisicamente mais fortes. Por natureza, ele geralmente é mais agressivo e externamente orientado. Em contraste, uma mulher geralmente encerra o ideal da dignidade interior. Algumas pessoas confundem essa sutileza com fraqueza; na verdade, é mais forte que a mais agressiva força física que se possa imaginar. A verdadeira dignidade humana não grita; é uma voz forte, constante, que fala lá de dentro. A natureza da mulher, embora sutil, não é fraca. E a natureza de um homem, embora agressiva, não é bruta. Para que homem e mulher sejam completos, cada qual deve possuir ambas as energias. A resposta não é que homens e mulheres tentem ser semelhantes. Todos devem ser eles mesmos, percebendo que D’us concedeu a cada um de nós habilidades únicas com as quais vamos atrás dos nossos objetivos, e que nossa responsabilidade fundamental é tirar vantagem delas.
         Concluímos essa reflexão, reconhecendo que, embora o feminismo com justo direito clame pelo fim da dominação e abuso masculino, e por direitos iguais para as mulheres. É vital chegar à raiz da distorção – de que nosso foco na vida, como homens ou mulheres, não deve ser simplesmente satisfazer o próprio ego ou as próprias necessidades, mas sim servir a D’us. A verdadeira libertação feminina não significa meramente buscar a igualdade num mundo masculino, mas liberar os aspectos femininos da personalidade de uma mulher e usá-los em benefício da humanidade, que ainda não reconheceu o Único e Verdadeiro D’us. Ainda que pra isso precise lutar!
          Pois no fundo, tanto homens quanto mulheres, querem a paz de espírito, o equilíbrio emocional para a alma, a integridade física, e para tanto, a nosso ver, precisamos estar sempre preparados para a guerra!

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