Respeita as limitações e incapacidades das pessoas com deficiência, e isso porque, em 2016, a capoeira foi reconhecida pelo Ministério de Esporte, como "esporte", tem importância inquestionável. Uma vez que, ela atua verdadeiramente como 'terapia ocupacional'.
TERAPIA é o ramo da medicina que se dedica ao tratamento das doenças. Porém, essa é a definição mais geral do conceito, mas é claro que existem diferentes tipos de terapia, como tantas alterações ou doenças que existem. A terapia ocupacional, por outro lado, é a primeira da lista e que não se refere ao tratamento de uma doença física, pois se dedica apenas em desenvolver atividades que contribuam com a SAÚDE FÍSICA e o BEM-ESTAR das pessoas.
No caso de indivíduos com deficiência alcança-se melhores resultados quando são tratados terapeuticamente, tanto em crianças, jovens como adultos e, em particular, em idosos.
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Aluna Débora, do grupo Redenção Capoeira. |
Um exemplo de tratamento, é a 'terapia cognitiva' que se dedica a tratar de doenças e que não produzem uma concreta dor, mas que às vezes são tão cruéis e perigosas como as que doem, tais como, as fobias, depressão, ataques de ansiedade e outros transtornos psicológicos. Basicamente, o que ela faz é conseguir que reconheçamos o problema que origina e substituí-lo por outras ideias ou questões que permitam esquecer ou fazer desaparecer.
Na psicanálise, chamamos de "psicoterapia" ou "terapia cognitiva comportamental", por sua abordagem mais concreta, tornando o tratamento de enfoque psicológico preferido pela maior parte dos especialistas. Considerando sempre a etapa mental, cronológica e motora do indivíduo, propícia um desenvolvimento orgânico mais satisfatório, melhora o tônus muscular, permite maior agilidade, flexibilidade e ampliação dos movimentos.
Resaltando que, a capoeira, proporciona a liberação de sentimentos como a agressividade e o medo, levando o ser humano a adquirir uma condição física mais satisfatória e um comportamento mais socializado.
A capoeira e o espaço geográfico por Valmir Neto
O ser humano é distinto dos demais seres vivos, por ter personalidade. Ele tem raciocínio, tem sentimentos e age por livre arbítrio, o que, o torna um ser social. E suas relações sociais, quando se dão, estão projetadas em determinado espaço geográfico. Dessa forma, a prática da "capoeiragem", na forma de organização do espaço geográfico, reflete as ideias e os valores (materiais ou espirituais) predominantes em cada grupo social.
A forma de produção dos bens necessários à sobrevivência, o nível de interdependência entre pessoas e lugares, as diferenças sociais entre os habitantes, e o grau de avanço, no que gostamos de chamar "estilo livre de Capoeiragem". Concluindo assim que, a capacidade ou possibilidade, de exploração e modificação do espaço, é diferenciado entre os grupos de capoeira. O que a nosso ver, impossibilita à unificação da capoeira, para fins desportivos. O que não impede as diversas vertentes deste esporte de combate, de competir desde que, consiga a tempo adequar-se as regras da Instituição de administração e promoção da mesma, como modalidade desportiva.
Não podemos destruir a estrutura social de um estilo de luta, neste caso, a capoeiragem desenvolvida no Estado do Rio de Janeiro. Uma vez que, a identidade de um povo esta intimamente ligada ao território em que vive. Segundo o geógrafo Hildebert Isnard,
"Qualquer sociedade vive num espaço que considera como necessário para a sua existência, quer seja em virtude de uma herança biológica, quer de uma tradição cultural. É uma evidência afirmar que não há sociedade sem espaço que lhe seja próprio, no interior do qual as gerações se sucedem numa continuidade tal, que uma identificação se realiza entre um povo e o ser território."
Assim acontece com o "estilo livre de capoeiragem do Rio de Janeiro". Que independente das transformações políticas, sociais e econômicas, terem atingido direta ou indiretament a libertade de expressão corporal de cada espaço geográfico brasileiro, onde se dá a prática de capoeira. O estilo livre, permanece vivo.
1- NETO, Valmir Aires Griffo. Teólogo, historiado e Meste-Capoeira de 1º grau. RJ, 2018.
2- ISNARD, Hildebert. O espaço geográfico. Coimbra, Almedina, 1982. P.30.
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